Sonic Migrations
arte sonora interativa/ performance/ música
Sonic Migrations é uma performance eletroacústica para um único participante, onde o toque e a presença geram som em tempo real. Utilizando um sistema que transforma o contato com a pele em impulsos musicais, o corpo do ouvinte se torna tanto intérprete quanto instrumento, moldando um ambiente sonoro em evolução. A peça reimagina a viagem como uma jornada interna, onde o som substitui o movimento e a interação cria uma paisagem dinâmica de frequências em mudança.
DURAÇÃO: 15 MIN M/6
Entrevista
O que acontece em Sonic Migrations?
Sonic Migrations é uma performance eletroacústica para um único participante, onde o toque e a presença geram som em tempo real.
Utilizando um sistema que transforma o contato com a pele em impulsos musicais, o corpo do ouvinte torna-se ao mesmo tempo intérprete e instrumento, moldando um ambiente sonoro em constante evolução.
A peça reinventa a ideia de viagem como uma jornada interior, onde o som substitui o movimento e a interação cria uma paisagem dinâmica de frequências em transformação.
Por meio de texturas eletrónicas, gravações de campo e processamento vocal, a performance reconstrói fragmentos sonoros de lugares distantes, memórias e geografias imaginadas.
Os gestos do ouvinte ativam e modificam essas camadas, traçando um percurso auditivo único a cada interação.
Desafiando os limites entre composição, performance e experiência imersiva, Sonic Migrations convida à escuta profunda e ao despertar sensorial.
Sob sua superfície tátil e espacial, a obra revela uma dimensão mais íntima: uma jornada para dentro, onde memórias ocultas, emoções ou estados de ser podem emergir.
Cada apresentação é irrepetível — moldada pela energia, intuição e vulnerabilidade do ouvinte — revelando paisagens não apenas externas, mas profundamente pessoais e, muitas vezes, desconhecidas.

Como surgiu a criação desta peça?
Sonic Migrations nasceu do desejo de explorar o som não apenas como meio de expressão, mas como um espaço de transformação íntima.
Os meus trabalhos anteriores — como Ancient Voices of the Island e Home, the Art of Listening — já refletiam um forte interesse pelo som como memória, como geografia, como arquitetura invisível.
Com esta obra, quis ir mais além: levar o público não só ao coração de uma paisagem sonora, mas ao coração de si mesmo.
Como artista, sou fascinada pela coexistência simultânea de paisagens emocionais ou psicológicas contrastantes — e, muitas vezes, contraditórias — dentro de cada pessoa.
Esta performance permitiu-me explorar essa tensão a partir da arte sonora, usando o corpo como ponte entre geografias internas e externas.
Os gestos e impulsos do participante não apenas disparam sons — compõem uma música que é inteiramente sua: efêmera, crua e irrepetível.

O que te traz a arte “um para um” enquanto artista?
Trabalhar no formato um-para-um traz um tipo de presença e intimidade que é ao mesmo tempo frágil e poderosa. Remove a performance do espetáculo e devolve-a à conexão — lenta, direta, sem filtros.
Permite-me responder à energia de um único ser humano em tempo real, e oferecer-lhe um espaço onde o seu inconsciente — muitas vezes silenciado ou fragmentado — possa falar através do som. Esse tipo de trabalho aguça a minha escuta, aprofunda a minha intuição e reforça algo em que acredito profundamente: que a arte não está separada de nós.
A arte somos nós, expandindo-se para fora.
Em Sonic Migrations, o corpo do público torna-se o instrumento, e sua energia torna-se música. E, nesse momento compartilhado e delicado, eu também sou transformada.
Quem gostarias que experienciasse o teu trabalho?
Imagino esta obra a ser vivida por alguém que não tem medo de viajar até ao seu próprio abismo — alguém curioso sobre o que se esconde sob a superfície da identidade, das emoções e da memória.
Espero que ela chegue àqueles dispostos a escutar não apenas com os ouvidos, mas com a pele, a respiração, o silêncio.
O ouvinte ideal é aquele que gosta de navegar pelo desconhecido — tanto dentro quanto fora de si —, alguém que abraça a desorientação como parte da descoberta, que acolhe as belas e misteriosas criaturas que habitam os cantos sombrios do ser.
Espero encontrar alguém que veja a arte não apenas como espelho, mas como portal: uma chance de sair da zona de conforto e voltar transformado, ainda que sutilmente.
É esse o ouvinte que Sonic Migrations espera.
Uma saudação tua, enquanto artista, aos visitantes do festival
Obrigada por estarem aqui.
Sonic Migrations é um convite para escutar de maneira diferente: o som, o espaço, a si mesmo.
Esta obra desdobra-se através da sua presença, dos seus gestos, da sua energia.
Entra com curiosidade — e deixe que a experiência te leve para além dos mapas habituais.


